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Ataques de Israel destroem 129 unidades de saúde no Líbano em 45 dias

Conflitos resultaram em mais de 2.290 mortos, 7.500 feridos e um milhão de deslocados, segundo autoridades do Líbano

17/04/2026 às 19:46
Por: Redação

Durante um período de 45 dias de confrontos, ataques conduzidos por Israel resultaram em danos a 129 unidades de saúde no Líbano. Nesse intervalo, o Ministério da Saúde libanês contabilizou a morte de 100 profissionais da área da saúde e o ferimento de outros 233. Também foram bombardeadas 116 ambulâncias e seis hospitais precisaram encerrar as atividades devido aos impactos dos ataques.

 

O escritório da Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) no Líbano divulgou comunicado destacando a gravidade destas ações de acordo com as normas internacionais:

 

“Esses incidentes constituem uma grave violação do direito internacional humanitário e comprometem seriamente o acesso da população aos serviços de saúde”.

 

O bombardeio de hospitais, ambulâncias e instalações civis é reconhecido como crime de guerra. Israel tem argumentado que algumas dessas instalações estariam sendo utilizadas pelo Hezbollah para fins militares. Organizações de direitos humanos têm questionado essas alegações.

 

A preocupação internacional se intensificou após a emissão de alertas para a evacuação de dois hospitais em Beirute. A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou preocupação diante da possibilidade de evacuação dessas unidades hospitalares.

 

De acordo com o Ministério da Saúde libanês, estimativas preliminares apontam que, ao longo dos 45 dias de conflito, 2.294 pessoas perderam a vida e cerca de 7.500 ficaram feridas, incluindo pelo menos 177 crianças mortas e 704 feridas.

 

Nesse mesmo período, ao menos sete jornalistas teriam sido alvo de ataques israelenses em áreas de conflito no Líbano.

 

O Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS) contabilizou a destruição de 37.800 unidades habitacionais até 12 de abril, quatro dias antes do estabelecimento do cessar-fogo. A maior parte dessa destruição concentrou-se nos subúrbios da capital, Beirute. Segundo o CNRS, esse número representa cerca de 16% dos danos acumulados em fases anteriores do conflito, indicando uma rápida escalada da destruição em um curto espaço de tempo.

 

No dia em que o Irã declarou cessar-fogo, Israel lançou um ataque intenso sobre o Líbano, especialmente em regiões densamente povoadas e áreas centrais de Beirute. Em aproximadamente dez minutos de bombardeios, mais de 300 pessoas morreram.

 

Anwar Assi, jornalista e especialista em geopolítica, ressaltou que as áreas atingidas em Beirute são de natureza civil.

 

“Essa área é 100% civil. Mesmo os escritórios do Hezbollah são escritórios civis. Ou seja, pela lei internacional, não podem ser atacados. O subúrbio de Beirute não é uma área militarizada. Não tinha porquê bombardear aquelas áreas”, afirmou.

 

Assi, que tem familiares residindo no Líbano, afirmou que não há veracidade nas alegações israelenses de que havia foguetes nas regiões atingidas.

 

“Isso dá para ver pelos prédios destruídos, que lá não tinha foguete. O único motivo dos ataques foi para forçar o deslocamento dos moradores e criar uma pressão em cima da sociedade libanesa”, afirmou.

 

Dados da Ocha indicam que mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas devido a ordens de evacuação em massa, que afetaram aproximadamente 15% do território libanês.

 

Segundo Assi, um dos objetivos das autoridades israelenses seria promover deslocamentos populacionais em larga escala para minar o apoio ao Hezbollah entre os libaneses.

 

“Mas isso não está acontecendo, a maioria apoia a resistência. Mesmo os críticos do Hezbollah têm rejeitado uma guerra civil contra o grupo”, acrescentou.

 

Nesta sexta-feira, Nabih Berri, presidente do Parlamento do Líbano, declarou que a unidade nacional e a paz civil representam uma "linha vermelha" a ser respeitada sob qualquer circunstância, advertindo que ataques a esses princípios favorecem os objetivos de Israel.

 

Israel afirma que suas ações visam estruturas militares do Hezbollah e que o grupo xiita utiliza instalações civis para fins militares, o que é negado pelo Hezbollah.

 

Consequências no sul do país

 

O governo israelense, liderado por Benjamin Netanyahu, justificou as operações no sul do Líbano pela necessidade de criar uma faixa desabitada até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira. Na quinta-feira, Netanyahu informou o objetivo de tomar a cidade de Bent Jbeil, que possui 30 mil habitantes.

 

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou em março que não seria permitido o retorno das pessoas que fugiram do sul do Líbano para áreas ao sul do Rio Litani.

 

O deslocamento forçado de civis é igualmente classificado como crime de guerra. No último dia antes do cessar-fogo, Israel destruiu a última ponte sobre o Rio Litani, a Ponte de Qasmiyeh, o que resultou no isolamento do sul do país e na interrupção da ligação entre as cidades de Tiro e Sidon. Para possibilitar o retorno de moradores, uma ponte provisória foi erguida na região.

 

Hussein Melhem, libanês naturalizado brasileiro de 45 anos, residia com sua família em Tiro, no litoral sul do Líbano, até o início da atual fase do conflito em 2 de março. Ele se deslocou para a região metropolitana de Beirute e, até o momento, não sabe quando será possível retornar para sua cidade de origem.

 

“Quero voltar esta semana, mas tem que diminuir a fila um pouco porque está uma luta para voltar ao sul, tem muita gente”, disse, acrescentando que não está seguro de que a trégua possa durar.
“É preciso aguardar os próximos desdobramentos”.

 

Anwar Assi relatou que, em sua análise, as ações israelenses no sul do Líbano caracterizam uma política de limpeza étnica com o objetivo de expulsar habitantes e tomar os territórios.

 

“O objetivo principal da guerra é a expulsão das pessoas do sul do Líbano. Por isso que eles destruíram escolas, hospitais, prédios do governo e todas as unidades que poderiam dar suporte ao retorno dos civis. Eles destruíram justamente para que essas pessoas que retornassem às suas cidades não encontrassem nenhum tipo de apoio”, destacou Assi.

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