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Lula defende regulação mais rígida para apostas digitais e plataformas online

Presidente enfatiza risco das apostas digitais e grandes plataformas para a economia das famílias e propõe ampliar regulação no setor

17/04/2026 às 19:13
Por: Redação

Durante uma coletiva de imprensa realizada em Barcelona nesta sexta-feira, 17, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação com o impacto do crescimento das apostas digitais no endividamento das famílias brasileiras e defendeu o estabelecimento de normas mais rigorosas para esse setor, assim como para as grandes plataformas tecnológicas internacionais.

 

Lula salientou que a ausência de controle sobre as chamadas bets e sobre as big techs representa uma ameaça não apenas à saúde financeira da população, mas também à saúde mental dos cidadãos, à soberania dos estados e ao funcionamento da democracia. O presidente recordou que, historicamente, o país sempre restringiu as atividades relacionadas a jogos de azar. No entanto, com o avanço das ferramentas tecnológicas, os cassinos passaram a acessar os lares brasileiros por meio dos dispositivos móveis.

 

Segundo ele, as apostas realizadas de modo virtual acabam encorajando despesas que extrapolam a renda familiar, o que pode agravar a situação econômica dos lares brasileiros. Lula mencionou que essa prática é um dos fatores que contribuem para o aumento do endividamento na sociedade, uma vez que muitas pessoas acabam utilizando recursos que não poderiam comprometer nessas atividades.

 

“Uma das coisas que está endividando a sociedade, fazendo com que ela gaste aquilo que não poderia gastar, são as apostas no mundo digital”, disse.


 

Medidas protetivas para crianças e adolescentes

O chefe do Executivo destacou iniciativas já implementadas pelo governo brasileiro para resguardar as crianças diante dos efeitos prejudiciais que podem ser gerados pelo ambiente digital. Uma das ações citadas foi a proibição do uso de celulares nas escolas de ensino fundamental, medida que, segundo Lula, foi recebida inicialmente com desconfiança, mas mostrou resultados positivos após sua aplicação.

 

O presidente afirmou que, após a restrição, as crianças voltaram a interagir presencialmente, retomando diversas brincadeiras habituais, o que resultou em mudanças no comportamento dos estudantes, com redução do tempo dedicado aos aparelhos eletrônicos.

 

Lula ainda garantiu que o governo pretende avançar no processo de regulação de qualquer plataforma digital que represente riscos à democracia, à soberania nacional ou ao bem-estar da população.

 

“A internet não é para transmitir ódio, nem mentira. Não é para transmitir violência. Quem acompanha a internet sabe do que eu estou falando”, argumentou.


 

Desafio global para a regulação digital

O presidente brasileiro defendeu que o enfrentamento dos desafios impostos pelo ambiente digital é uma tarefa que deve ser conduzida de maneira coletiva por todos os países, já que os impactos negativos transcendem fronteiras nacionais.

 

Lula expressou preocupação com a possibilidade de interferências externas, especialmente em períodos eleitorais, e chamou atenção para a criação de estruturas internacionais dedicadas à disseminação de desinformação em larga escala.

 

“Espero que o mundo tenha consciência de que este é um problema da humanidade. Precisamos regular tudo que for digital, para que a gente dê soberania aos nossos países, de forma a não permitir intromissões vindas de fora, sobretudo no ano eleitoral. Mundo afora, estão sendo criadas verdadeiras fábricas ou fazendas de mentiras”, acrescentou.

 

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