LogoPortal Curitiba Notícias

Rendimento médio formal no Brasil chega a 3.722 reais e bate novo recorde histórico

Primeiro trimestre de 2026 registra maior média salarial e massa de rendimento desde 2012, com crescimento influenciado por reajuste do salário mínimo e redução na informalidade.

01/05/2026 às 01:33
Por: Redação

No primeiro trimestre de 2026, o rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro alcançou 3.722 reais, valor que representa um crescimento real de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025, já descontando a inflação. Esse resultado corresponde ao maior patamar já registrado desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, iniciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2012.

 

Esse é o segundo trimestre consecutivo em que o valor médio do salário ultrapassa 3.700 reais. No trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026, o rendimento médio havia sido de 3.702 reais. Em comparação ao último trimestre de 2025, quando estava em 3.662 reais, a elevação foi de 1,6%.

 

Variação por setores e detalhes da pesquisa

A análise do IBGE abrange dez diferentes grupos de atividades econômicas. Em oito desses grupos, o rendimento médio se manteve estável, sem mudanças estatisticamente significativas. No entanto, dois setores apresentaram aumento nos salários: o comércio registrou alta de 3%, o que representa acréscimo de 86 reais, enquanto o segmento da administração pública teve elevação de 2,5%, com incremento de 127 reais no rendimento médio.

 

Fatores que impulsionaram o aumento

A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, apontou que o reajuste do salário mínimo em janeiro de 2026, fixado em 1.621 reais, contribuiu para o recorde observado no rendimento médio.

 

“Pode ter uma participação já dessa questão do reajuste do salário mínimo, que é uma recomposição e até ganhos reais [acima da inflação].”


 

Outro aspecto ressaltado pela pesquisadora foi a redução de um milhão de pessoas no contingente de trabalhadores ocupados em comparação com o último trimestre de 2025. Essa diminuição ocorreu principalmente entre os trabalhadores informais, que costumam receber salários menores.

 

Segundo a analista, a menor presença de informais no mercado eleva a média dos rendimentos dos ocupados no período analisado.

 

“Então, a média de rendimento dos que estão ocupados nesse primeiro trimestre de 2026, comparativamente, é maior que a média de rendimento do quarto trimestre”, completa.


 

Massa salarial e impacto econômico

O levantamento do IBGE também mostrou que o total de rendimentos pagos aos trabalhadores chegou a 374,8 bilhões de reais, sendo esse o maior valor já apurado na série histórica da pesquisa.

 

Esse montante inclui a soma das remunerações de todos os trabalhadores, recursos que são utilizados para consumo, pagamento de dívidas, investimentos e poupança.

 

No comparativo com o primeiro trimestre de 2025, a massa salarial apresentou crescimento de 7,1% acima da inflação, o que equivale a um acréscimo de 24,8 bilhões de reais no período de um ano.

 

Previdência social e contribuição formal

De acordo com o IBGE, a proporção de trabalhadores ocupados que contribuem para a previdência alcançou 66,9% no primeiro trimestre de 2026, a maior já registrada desde o início da série histórica. Isso representa 68,174 milhões de pessoas com proteção previdenciária.

 

O instituto considera como contribuintes todos os empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e autônomos que tenham efetuado contribuição para o INSS ou para planos oficiais de previdência federal, estadual ou municipal.

 

Ao contribuir para a previdência, o trabalhador adquire benefícios como direito à aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte.

 

Adriana Beringuy explicou que o aumento da formalização do mercado de trabalho é um dos motivos para esse recorde de participação, já que trabalhadores informais contribuem menos para o sistema de previdência.

 

No trimestre finalizado em março de 2026, a taxa de informalidade ficou em 37,3% da força de trabalho ocupada, totalizando 38,1 milhões de trabalhadores sem direitos trabalhistas garantidos. No término de 2025, esse percentual era de 37,6%, enquanto, no primeiro trimestre de 2025, atingiu 38%.

 

O IBGE esclareceu ainda que mesmo trabalhadores informais, como autônomos sem CNPJ, podem contribuir individualmente para o INSS.

 

Desemprego atinge novo mínimo para o período

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua é o principal instrumento de avaliação do mercado de trabalho no Brasil, abrangendo pessoas com 14 anos ou mais em todas as formas de ocupação, incluindo trabalho formal, temporário e autônomo.

 

No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desemprego ficou em 6,1%, o menor índice já registrado para esse período do ano. Para o cálculo da taxa, o IBGE considera como desempregada apenas a pessoa que realizou busca efetiva por trabalho nos 30 dias anteriores à realização da pesquisa. O levantamento visita 211 mil domicílios em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

© Copyright 2025 - Portal Curitiba Notícias - Todos os direitos reservados