LogoPortal Curitiba Notícias

RSF alerta para piora global da liberdade de imprensa em democracias

Relatório da Repórteres Sem Fronteiras indica menor índice global de liberdade de imprensa em 25 anos

01/05/2026 às 00:06
Por: Redação

Pela primeira vez em 25 anos, a pontuação média mundial no ranking de liberdade de imprensa atinge o menor nível já registrado, de acordo com relatório divulgado pela organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O relatório foi apresentado nesta quinta-feira, dia 30, e evidencia uma deterioração inédita das condições para o exercício do jornalismo em escala global.

 

Segundo Artur Romeu, diretor da RSF para a América Latina, a redução da liberdade de imprensa não está restrita a regimes autoritários, manifestando-se também de forma pronunciada em países considerados democráticos. Ele ressalta que há uma tendência de queda contínua nos índices, culminando este ano no menor resultado da série histórica.

 

O Brasil destaca-se como exceção entre os países avaliados, tendo subido 58 posições no ranking desde 2022. Apesar disso, a maior parte das nações enfrenta dificuldades crescentes para garantir um ambiente favorável ao jornalismo.

 

De acordo com Romeu, a responsabilidade pela manutenção de uma imprensa livre e plural recai sobre os estados democráticos, que têm o dever de assegurar à sociedade o acesso a informações de qualidade.

 

Causas da queda na liberdade de imprensa

 

O diretor da RSF pontua que essa redução é resultado de um conjunto de crises que afetam as democracias globais. Se anteriormente a ameaça se concentrava em países abertamente autoritários, hoje práticas que prejudicam a liberdade de imprensa se disseminam inclusive em democracias.

 

Entre os fatores identificados estão o assédio, hostilizações e ações que associam jornalistas e veículos de comunicação à figura de inimigos públicos. Este fenômeno, segundo Romeu, reforça a hostilidade e impulsiona a desinformação, contribuindo para que a atividade jornalística seja percebida como cada vez mais difícil.

 

Importância do direito à informação para a sociedade

 

Romeu ressalta que o direito à liberdade de imprensa vai além de jornalistas e veículos; trata-se de um direito coletivo e social, fundamental para que cidadãos possam tomar decisões informadas. A informação livre, plural, independente e íntegra é colocada como essencial à participação pública, assim como são vitais direitos como saúde, moradia e trabalho.

 

Cenário nas Américas e situações específicas

 

O continente americano, conforme aponta Romeu, passa por uma deterioração significativa da liberdade de imprensa. Países como Estados Unidos, Argentina, Peru e Equador apresentam agravamento nas condições para o jornalismo.

 

Na Argentina, medidas como o fechamento da agência pública Telan e o impedimento de acesso de jornalistas à Casa Rosada refletem a postura do governo de Javier Milei. No Peru e no Equador, houve assassinatos de jornalistas no último ano. O Equador também enfrenta instabilidade política, com a decretação de estados de exceção e toques de recolher.

 

O México mantém-se como o país mais perigoso para jornalistas nas Américas, acumulando mais de 150 assassinatos desde 2010. O índice de violência extrema contra profissionais da imprensa faz com que o país permaneça em baixa posição no ranking, sem grandes variações ao longo do tempo.

 

Recomendações e medidas necessárias

 

Romeu defende que a valorização do trabalho jornalístico deve ser uma prioridade para os governos. Ele explica que o ranking divulgado pela RSF avalia as condições existentes para o exercício da profissão, e não os governos em si, embora estes desempenhem papel fundamental na criação desse ambiente.

 

De acordo com o diretor, não é suficiente que os governos apenas se abstenham de interferir no jornalismo; é necessário adotar medidas proativas para garantir um ambiente seguro e favorável para a atividade. Entre as ações recomendadas estão o desenvolvimento de políticas públicas, regulações que fortaleçam o jornalismo, legislações para regular plataformas digitais e inteligência artificial, mecanismos de proteção profissional, além de leis que promovam o pluralismo, diversidade midiática e incentivos específicos para o setor.

© Copyright 2025 - Portal Curitiba Notícias - Todos os direitos reservados