O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil adotará medidas recíprocas se confirmar abuso por parte dos Estados Unidos na decisão de expulsar um delegado da Polícia Federal, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, do território norte-americano. Lula respondeu a perguntas de jornalistas durante visita oficial à Alemanha nesta terça-feira, 21 de abril.
“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, declarou Lula.
O presidente também destacou que o Brasil defende que as relações internacionais ocorram de forma correta e criticou eventuais tentativas de ingerência por parte de agentes norte-americanos.
“Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que alguns personagens americanos querem ter com relação ao Brasil.”
Na segunda-feira, 20 de abril, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos comunicou, por meio de postagem na rede social X, que solicitou a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora o comunicado não mencione nomes, o texto indica que a medida se refere ao delegado da Polícia Federal que participou da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
No comunicado, o órgão do governo norte-americano alegou que o servidor brasileiro tentou contornar procedimentos formais de cooperação jurídica entre os dois países.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso.”
Alexandre Ramagem foi libertado na quarta-feira, 15 de abril, após permanecer detido por dois dias em uma unidade da imigração norte-americana no estado da Flórida.
Ramagem ocupou anteriormente o cargo de diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Em decisão do Supremo Tribunal Federal, em 2025, ele foi condenado a dezesseis anos de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado. Com a condenação, Ramagem perdeu o mandato parlamentar, deixou o Brasil antes de cumprir a sentença e passou a residir nos Estados Unidos.
Em dezembro do mesmo ano, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que fosse feito o pedido formal de extradição de Ramagem, encaminhado aos Estados Unidos pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil.
Em nota divulgada este mês, a Polícia Federal comunicou que a detenção de Ramagem por autoridades de imigração norte-americanas ocorreu em razão de uma cooperação policial internacional entre o Brasil e os Estados Unidos. Conforme a corporação policial, a prisão foi realizada na cidade de Orlando, sendo Ramagem considerado foragido após condenação por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.