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Anistia Internacional critica EUA, Israel e Rússia por enfraquecimento do multilateralismo

Relatório anual cita violações de direitos humanos e ataques ao sistema multilateral por EUA, Israel, Rússia e alerta para violência policial no Brasil

21/04/2026 às 17:57
Por: Redação

A Anistia Internacional divulgou, nesta terça-feira (21), seu relatório anual sobre direitos humanos, no qual acusa os Estados Unidos, Israel e Rússia de promoverem ações que comprometeriam o sistema multilateral, o direito internacional e a atuação da sociedade civil. O documento avalia a situação em 144 países.

 

A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, declarou que atores políticos e econômicos, além daqueles que os apoiam, estariam provocando o colapso do sistema multilateral. Ela afirma que essa ruptura não ocorre por ineficiência do sistema, mas porque ele não serve aos interesses de domínio e controle dessas potências.

 

“A resposta não é proclamar que o sistema é uma quimera ou que não há como consertá-lo, mas sim enfrentar seus fracassos, acabar com sua aplicação seletiva e continuar transformando-o para que seja plenamente capaz de defender todas as pessoas com a mesma determinação”, afirmou Agnès Callamard.


 

Conflitos e violações atribuídas a Israel e Estados Unidos

 

De acordo com o relatório, Israel teria prosseguido com atos classificados como genocidas contra palestinos em Gaza, mesmo após o acordo de cessar-fogo firmado em outubro de 2025. O documento afirma que o país mantém um sistema de apartheid na relação com os palestinos, acelerando ainda a expansão de assentamentos ilegais na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e avançando em direção à anexação dessas regiões.

 

A organização aponta que as autoridades israelenses têm incentivado ou permitido que colonos cometam ataques e promovam o terror contra comunidades palestinas, sem que haja responsabilização. Altos funcionários do governo teriam, inclusive, expressado apoio e exaltação à violência, além de praticar detenções arbitrárias e utilizar tortura contra pessoas presas.

 

No caso dos Estados Unidos, o relatório indica que mais de 150 execuções extrajudiciais foram realizadas pelo país em bombardeios a embarcações nos oceanos Caribe e Pacífico. Também menciona uma ação de agressão à Venezuela em janeiro de 2026, ocasião em que o presidente Nicolás Maduro foi sequestrado e posteriormente levado aos Estados Unidos.

 

A Anistia Internacional ainda acrescenta que tanto os Estados Unidos quanto Israel teriam feito uso ilegítimo da força contra o Irã, em desacordo com a Carta das Nações Unidas. Como consequência, o Irã teria retaliado com ataques contra Israel e contra países membros do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo. Em resposta, Israel teria intensificado ataques ao Líbano.

 

O relatório detalha que, desde a morte de mais de cem crianças em um ataque estadunidense contra uma escola no Irã, até o impacto devastador de diversos bombardeios contra estruturas energéticas, a população civil se vê ameaçada em sua saúde e segurança. A crise coloca em risco o acesso à energia, atendimento médico, alimentação e água na região, com repercussões potenciais em outros continentes.

 

Ofensiva russa e posição da Europa

 

O documento anual da Anistia Internacional informa que a Rússia ampliou ataques aéreos contra infraestruturas civis consideradas essenciais na Ucrânia.

 

O relatório também afirma que a União Europeia e a maior parte dos Estados europeus mantiveram uma postura de condescendência diante das ações dos Estados Unidos que violam o direito internacional e prejudicam mecanismos multilaterais de governança global.

 

Segundo a organização, não houve iniciativas efetivas das autoridades europeias para impedir o genocídio em curso atribuído a Israel, tampouco para interromper transferências irresponsáveis de armas e tecnologia que alimentam crimes contra o direito internacional em diferentes países.

 

Violência e direitos humanos no Brasil

 

No panorama brasileiro, a Anistia Internacional identifica a violência policial como um dos principais problemas. Em outubro de 2025, as polícias civil e militar do Rio de Janeiro realizaram uma operação antidrogas em favelas que resultou na morte de mais de 120 pessoas, majoritariamente negras e em situação de vulnerabilidade. A chamada Operação Contenção, realizada nos Complexos da Penha e do Alemão, zona norte da capital fluminense, é apontada como a operação mais letal da história do estado.

 

O relatório destaca que a atuação policial no Brasil segue um padrão histórico de letalidade, com impacto desproporcional sobre comunidades negras e periféricas. Ainda segundo a Anistia Internacional, a população negra permanece sendo o principal alvo do uso letal da força pelas autoridades estaduais.

 

A violência de gênero continuou em níveis alarmantes em todo o território brasileiro, com recorrência de feminicídios e persistência da impunidade. Além disso, pessoas LGBTIs foram vítimas de violência marcada por componentes racistas e lgbtifóbicos, sem que houvesse resposta protetiva suficiente por parte do Estado.

 

“A Anistia Internacional apela ao Brasil para que adote medidas efetivas de responsabilização pela violência policial, avance urgentemente na demarcação dos territórios indígenas e quilombolas, enfrente a crise climática com ambição compatível com sua responsabilidade histórica e garanta, sem discriminação, os direitos humanos de toda a sua população”, conclui a organização.


 

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