No feriado de São Jorge, celebrado em 23 de abril no estado do Rio de Janeiro, a tradicional viagem musical do Trem do Choro ocorrerá mais uma vez, marcando a comemoração do Dia Nacional do Choro e homenageando o nascimento de Alfredo da Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha. A ação é fruto de uma parceria com a SuperVia.
O evento, que chega à sua 13ª realização, transforma o trajeto ferroviário pelo subúrbio carioca numa experiência voltada à valorização da música instrumental brasileira. O Trem do Choro foi idealizado em 2012 por Luiz Carlos Nunuka e um grupo de amigos que fundaram, em Olaria, zona norte do Rio de Janeiro, a Instituição Cultural Grupo 100% Suburbanos, responsável desde então pelo movimento.
Desde 2013, a SuperVia tornou-se parceira do projeto, cedendo anualmente um trem especial na data comemorativa. Nesse trem, oito vagões são ocupados por diferentes grupos de choro, cada um batizado com o nome de grandes expoentes do gênero. O primeiro vagão leva o nome de Pixinguinha.
“E a cada ano, o Trem do Choro está se espalhando cada vez mais”, afirmou Itamar Marques, representante do Coletivo Trem do Choro, responsável pela organização e divulgação do evento anualmente. A participação é aberta ao público, mediante o pagamento da passagem de embarque comum.
Em 2024, o evento homenageia Albenise de Carvalho Ricardo, conhecida no cenário musical como Nilze Carvalho. Nascida em 1969, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a artista é reconhecida como cantora, compositora, bandolinista e cavaquinista, formada em música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), com uma trajetória marcada pela forte ligação com o choro instrumental e o samba carioca.
Segundo Itamar Marques, a escolha do nome de Nilze para a homenagem foi um gesto de reconhecimento às mulheres, que enfrentam diferentes formas de violência e agressão no Brasil.
“Nada mais justo do que homenagear a mulher através de Nilze Carvalho”, destacou. Durante a viagem, Nilze ficará no primeiro vagão, junto ao maquinista. Nas paradas em cada estação, o Trem do Choro convida passageiros e público a integrarem a celebração e a apreciarem composições clássicas do gênero.
Durante esta 13ª edição, também será marcada a formalização do Coletivo Trem do Choro, formado por diversas instituições culturais localizadas na região da Leopoldina.
Itamar Marques ressaltou que o evento é feito a várias mãos, cada uma atuando em sua especialidade, com o propósito de preservar a história do Trem do Choro e de manter viva essa tradição cultural. Ele estima que entre seis mil e sete mil pessoas participam do evento todos os anos.
A programação do Trem do Choro terá início às 10h, com concentração na Plataforma 12 da Estação Central do Brasil. A partida do trem está marcada para as 11h18, com destino à Estação Olaria, nomeada simbolicamente como “Estação do Choro Zé da Velha”. Ao longo do percurso, grupos de músicos se apresentarão em cada vagão, celebrando e promovendo o choro.
Ao desembarcar em Olaria, músicos e participantes seguirão em cortejo pelo Circuito Mestre Siqueira até a Travessa Pixinguinha, local onde viveu o homenageado do dia. Lá, será feita uma homenagem especial. Depois do cortejo, a tradicional roda de choro acontecerá, juntamente com a feira cultural do Instituto Cultural Grupo 100% Suburbano, na Praça Ramos Figueira, também chamada de Reduto Pixinguinha.
Durante a permanência na praça, ocorrerá ainda uma ação social realizada em parceria com o Lions Club, oferecendo atividades para a comunidade local.
O evento também contará com galeria de fotos que retratam a edição atual, reforçando o registro visual da iniciativa e seu impacto cultural.