O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou que entre os dias 3 e 7 de julho de 2028 irá executar o primeiro levantamento nacional dedicado a identificar e caracterizar os brasileiros que vivem em situação de rua. A divulgação dos resultados iniciais dessa pesquisa está prevista para dezembro do mesmo ano.
O anúncio foi realizado nesta semana, acompanhado por eventos de lançamento em Belém, na segunda-feira, e no Rio de Janeiro, na terça-feira, com um terceiro evento programado para São Paulo na quinta-feira seguinte. Essa iniciativa, considerada sem precedentes no país, visa mapear o perfil e a origem das pessoas sem moradia fixa, criando subsídios para políticas públicas focadas nesse segmento da população.
Durante a cerimônia realizada no Centro de Atendimento Integrado às Pessoas em Situação de Rua do Rio de Janeiro (CIPOP-RUA/RJ), o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, destacou que a metodologia desenvolvida pela instituição para esse censo será referência internacional. Ele ponderou que compreender quem são esses cidadãos e suas origens permitirá uma mudança significativa no desenvolvimento de políticas governamentais que, segundo ele, devem evoluir para que seja desnecessário realizar novos levantamentos desse tipo no futuro.
Pochmann relembrou que a primeira contagem de pessoas vivendo em situação de rua foi realizada somente na cidade de São Paulo, na transição entre as décadas de 1980 e 1990. Em 1991, foram contabilizados 3.393 moradores de rua na capital paulista, enquanto o levantamento mais recente, feito em 2025, apontou um aumento expressivo, chegando a 101 mil pessoas.
O presidente do IBGE ressaltou que o crescimento significativo da população sem moradia não deve ser responsabilidade exclusiva de administrações municipais ou estaduais. Ele endossou a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar que a tarefa precisa ser assumida pelo governo federal em escala nacional.
"Para isso, é necessário orçamento público, definido em Brasília e votado por parlamentares. Tem que ter garantia orçamentária para poder realizar esse projeto",
defendeu Pochmann, ao explicar que os recursos financeiros para a execução do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua serão contemplados na proposta orçamentária a ser encaminhada ao Congresso Nacional pelo Executivo federal em agosto.
Segundo Pochmann, ao realizar esse levantamento, o IBGE estará quitando uma dívida histórica com os brasileiros em situação de rua, lançando luz sobre uma parcela da população que até então permanecia invisível nas estatísticas oficiais.
A elaboração do censo conta com a participação de instituições e movimentos sociais, sendo um marco na produção de informações oficiais do país. O IBGE informou que todo o desenvolvimento metodológico do projeto foi construído com base em diálogo contínuo com a sociedade civil.
Igor Santos, que atualmente vive em situação de rua, esteve presente no evento de lançamento no Rio de Janeiro e enfatizou que as circunstâncias da vida, e não a escolha individual, muitas vezes levam pessoas à condição de morar nas ruas.
"Muitas das vezes, somos discriminados, somos olhados com olhares de menosprezo. Então, eu vim aqui para poder pedir ajuda".
Flávio Lino, secretário-geral do Movimento Nacional da População de Rua do Rio de Janeiro, que há quatro anos deixou de viver nas ruas, afirmou acreditar que a realização do censo representa uma transformação estrutural para o país. Ele também informou que pessoas que já viveram em situação de rua serão contratadas para participar ativamente do processo de levantamento. Além disso, as 20 coordenações nacionais do movimento colaborarão para assegurar a precisão das informações apuradas pelo IBGE.