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Conferência internacional discute risco da dependência de combustíveis fósseis

Evento na Colômbia reúne mais de 60 países e prioriza debate sobre segurança energética global

24/04/2026 às 19:38
Por: Redação

Teve início nesta sexta-feira (24), na cidade de Santa Marta, na Colômbia, a primeira Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, reunindo representantes de mais de 60 países que buscam formas de reduzir a produção, o consumo e a dependência mundial do petróleo.

 

Os debates em andamento na conferência servirão de base para a elaboração do Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis, documento que foi idealizado sob a liderança da presidência brasileira durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

 

A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, antes de embarcar para o evento, concedeu uma entrevista exclusiva detalhando a importância da conferência e os rumos do documento em preparação. Ela ressaltou que o conflito no Irã e a instabilidade dos preços do petróleo trouxeram à tona os desafios da dependência dos combustíveis fósseis e reforçaram a necessidade de acelerar a transição energética global.

 

"A gente não tinha ideia que isso ia acontecer, mas acho que o nosso Mapa do Caminho se transformou em uma plataforma para discutir e revisar a segurança energética, econômica e essa dependência global que temos de combustível fóssil".


 

O cronograma prevê que o Mapa do Caminho deverá ser concluído em novembro, apresentando orientações aos países sobre estratégias para a transição energética e para a redução das emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa e pela mudança do clima.

 

Participação da presidência da COP30 na conferência

A liderança brasileira na COP30 está participando do encontro com o objetivo principal de ouvir diferentes segmentos, como governos, sociedade civil e povos indígenas, sobre suas demandas e sugestões relacionadas à transição energética. Ana Toni explicou que a criação do Mapa do Caminho já foi uma resposta às demandas apresentadas durante a COP30, e que a conferência da Colômbia será uma oportunidade de aprofundar esse debate.

 

Ela afirmou que o evento, promovido pela Colômbia e pelos Países Baixos, é importante para ajustar o conteúdo do documento, garantindo que ele reflita discussões trazidas por participantes do encontro em Santa Marta.

 

Contribuições para o Mapa do Caminho

Sobre o formato da conferência, que permite ampla participação social, Ana Toni destacou que a decisão de se afastar dos combustíveis fósseis já foi tomada na COP28, realizada em Dubai. O objetivo agora é detalhar a implementação dessa decisão, elencando próximos passos e sequências de ações. Para ela, ouvir os diversos setores envolvidos – sociedade civil, povos indígenas e governos – é fundamental para definir caminhos concretos.

 

Segundo a diretora-executiva, cada país ou grupo terá uma abordagem diferente: alguns poderão focar na eletrificação, enquanto outros buscarão alternativas como combustíveis sustentáveis. Ela reforçou que o propósito do evento é demonstrar as múltiplas possibilidades para a efetivação das decisões já tomadas na COP28.

 

Importância dos países presentes e desafios

Ana Toni pontuou que três a cada quatro pessoas no mundo vivem em países importadores de combustíveis fósseis, tornando significativa a presença dos mais de 60 países na conferência. Ela citou o exemplo da Etiópia, que decidiu não importar mais carros movidos a combustão, como atitude relevante nesse cenário.

 

A elaboração do Mapa do Caminho recebeu mais de 250 contribuições formais, tanto de países quanto de entidades não-governamentais, o que indica grande interesse global no tema. Toni afirmou que a reunião em Santa Marta será um dos principais fóruns para debater as propostas recebidas e amadurecer o processo de construção do documento. Ela enfatizou que o foco do momento é definir ações concretas, pois a decisão pela transição já foi firmada.

 

Ao comentar sobre o encerramento do prazo para recebimento de sugestões, em 10 de abril, Ana Toni reconheceu que a tarefa mais desafiadora será filtrar, priorizar e organizar a vasta quantidade de informações disponíveis, levando em conta as condições específicas de cada país.

 

"Infelizmente, a guerra contra o Irã, promovida pelos Estados Unidos e Israel, mostra que caminhar para longe dos combustíveis fósseis, dessa dependência que temos, é absolutamente necessário. Não só por questões climáticas, mas por questões econômicas, energéticas e de segurança".


 

Ela reforçou que o Mapa do Caminho foi transformado em uma plataforma para repensar a segurança energética e econômica, bem como a dependência mundial dos combustíveis fósseis. Ana Toni alertou que essa dependência não se encerrará de forma imediata, exigindo planejamento para evitar consequências negativas, como as já observadas globalmente.

 

Estrutura do documento e abordagens

A diretora-executiva explicou que já existe uma estrutura preliminar para o Mapa do Caminho, mas que ela poderá ser ajustada conforme a escuta dos participantes. A ideia atual é dividir o documento em capítulos: o primeiro abordará os riscos da não transição, incluindo riscos climáticos, naturais, políticos, de segurança e demais ameaças existentes.

 

O segundo capítulo analisará a transição sob a ótica dos produtores de combustíveis fósseis, englobando tanto países quanto empresas, além de trazer a perspectiva dos consumidores, como setores de eletricidade, transporte e indústria, avaliando o que essa dependência representa para cada segmento e como podem avançar no processo de transição.

 

O terceiro capítulo tratará da dependência econômica, mostrando como as circunstâncias variam entre os países e alertando que entes subnacionais, como governos municipais, enfrentam também desafios econômicos relacionados à dependência dos combustíveis fósseis.

 

Por fim, o último capítulo será dedicado às recomendações para o mundo, sem limitar-se apenas às deliberações da COP31.

 

Visão sobre transição justa e implementação local

Ana Toni afirmou que a transição já está em curso, mas de maneira desigual, com avanços tanto em fontes renováveis e eficiência quanto na manutenção do uso de combustíveis fósseis. O propósito do documento é incentivar uma desaceleração no consumo de combustíveis fósseis, mudança que ela considera já iniciada.

 

Segundo Toni, a transição só terá êxito se for justa. Ela destacou a importância de continuar debatendo o tema em fóruns internacionais, como a COP31, a COP32 e o segundo Balanço Global, para avaliar o que está funcionando e potencializar as ações que podem ser aceleradas, promovendo amadurecimento global sobre o tema.

 

Por fim, ela declarou otimismo com os rumos do processo, destacando a necessidade de manter o debate político ativo para garantir a tomada de decisões adequadas diante dos desafios da transição energética.

 

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