LogoPortal Curitiba Notícias

Trabalhadores defendem mais descanso com possível fim da escala 6x1

Mudança no regime de trabalho é debatida por trabalhadores, que esperam mais tempo para família, lazer e organização doméstica

01/05/2026 às 22:37
Por: Redação

Trabalhadores de diferentes setores aguardam, com expectativa, a possibilidade de mudanças na jornada semanal, que atualmente prevê seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de folga. A justificativa apontada é a necessidade de ter mais tempo com a família, condições para cuidar das tarefas domésticas, momentos de lazer e até oportunidades para pequenas viagens, caso a legislação passe a garantir mais um dia de descanso semanal.

 

O debate sobre o término do regime 6x1 ganhou força nas manifestações deste 1º de maio, tornando-se uma das principais pautas dos movimentos laborais. Atualmente, diversas proposições legislativas relacionadas ao tema tramitam no Congresso Nacional.

 

Darlen da Silva, balconista de farmácia no Rio de Janeiro, relata sua rotina de quinze anos sob o regime 6x1. Com apenas um dia de folga por semana, Darlen destaca a dificuldade de conciliar as atividades domésticas e o descanso, especialmente sendo mãe de duas filhas. Ela aponta que, entre os colegas de trabalho, o assunto é recorrente, e muitos aguardam a aprovação da nova regra para reorganizar a vida pessoal e profissional. Darlen já faz planos caso as mudanças sejam efetivadas: dividiria os dois dias entre tarefas de casa e descanso, com possibilidades de lazer, algo que hoje considera inviável.

 

“Tenho duas filhas, então para mim é muito corrida a minha folga. Tenho que fazer tudo dentro de casa, lavar roupa, fazer mercado. Não tenho descanso. Venho trabalhar mais cansada ainda no outro dia.”


 

Ela ressalta, no entanto, a preocupação de que, após a eventual aprovação da lei, o limite de 40 horas semanais seja respeitado. Darlen relata que alguns conhecidos já trabalham em empresas que concederam dois dias de descanso semanal, mas, como contrapartida, as jornadas diárias aumentaram para 11 horas, o que, segundo ela, resulta em ainda mais cansaço.

 

O garçom Alisson dos Santos, também no Rio de Janeiro, trabalha há dez anos no setor de restaurantes sob o regime 6x1. Ele relata que utiliza o único dia livre para resolver pendências pessoais e dos filhos, o que inviabiliza o descanso real e o lazer. Com um segundo dia de folga, acredita que seria possível separar o tempo entre as obrigações domésticas e atividades familiares, incluindo até a chance de viajar, algo que considera impossível com apenas um dia disponível.

 

“Num dia você organiza as coisas de casa e, no outro dia, consegue passear com a família. Ou, se você vai direto do trabalho, consegue organizar até uma viagem. Com um dia só não, você não consegue fazer nada.”


 

Em São Luís, Izabelle Nunes, que trabalha como cabeleireira, afirma não acompanhar de perto as discussões no Congresso, nem perceber grande engajamento sobre o tema em seu ambiente de trabalho, mas se diz favorável à mudança. Ela defende que todos os trabalhadores tenham direito a, no mínimo, dois dias de descanso por semana, permitindo cuidados com saúde, educação, lazer e cultura, e reforça que a folga adicional teria impacto direto na dinâmica familiar.

 

“Acho que todos nós trabalhadores temos o direito de ter no mínimo dois dias de folga. Cuidar dos nossos estudos, saúde, lazer, cultura e trabalhando nessa escala a gente só se acaba.”


 

Izabelle complementa que, com mais um dia livre, dedicaria mais tempo à família, além de se organizar melhor nas tarefas domésticas.

 

Karine Fernandes, professora de 36 anos, acompanha os debates nas redes sociais, embora não seja submetida à escala 6x1, e também apoia a redução da jornada semanal. Ela afirma considerar o tema fundamental para a qualidade de vida dos trabalhadores e de suas famílias, destacando o impacto do tempo de convivência no desenvolvimento das crianças e no fortalecimento dos vínculos familiares.

 

“Como mãe, penso em como isso influencia a vivência de crianças que podem ter mais tempo de qualidade com suas mães e pais e como isso tem resultado direto no fortalecimento dos adultos que irão se tornar.”


 

Propostas legislativas em discussão

 

O fim da jornada 6x1 integra a pauta central do governo federal no âmbito das discussões trabalhistas, com propostas atualmente em análise no Congresso Nacional e expectativa de avanços nas próximas semanas. Entre as iniciativas, está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes, do Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais, que propõe a redução da carga horária semanal de 44 para 36 horas, com transição gradual ao longo de dez anos.

 

Outra proposta apensada, a PEC 8/25, de autoria da deputada Erika Hilton, do Partido Socialismo e Liberdade de São Paulo, defende uma jornada de quatro dias por semana, limitada a 36 horas no total.

 

Além dessas PECs, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência constitucional, que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. Conforme esse rito, o projeto deve ser votado em até 45 dias, sob pena de trancar a pauta do plenário da Câmara dos Deputados.

 

O tema está em debate em diferentes frentes legislativas, envolvendo discussões sobre limites de horas, impactos sociais e expectativas de mudanças graduais nas relações de trabalho no país.

© Copyright 2025 - Portal Curitiba Notícias - Todos os direitos reservados