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Irã e Hezbollah creditam trégua à atuação conjunta contra Israel

Administração iraniana e grupo libanês atribuem fim dos confrontos à integração do Eixo da Resistência

17/04/2026 às 17:34
Por: Redação

A administração do Irã e o grupo Hezbollah atribuíram o estabelecimento do cessar-fogo no Líbano à coordenação e à força de combate do chamado Eixo da Resistência, aliança composta por organizações contrárias às políticas de Israel e dos Estados Unidos no Oriente Médio.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, buscou apresentar o cessar-fogo como fruto direto das ações promovidas pelo governo norte-americano. Em contrapartida, autoridades iranianas ressaltaram que a trégua no território libanês era um dos pontos exigidos por Teerã para avançar nas conversas com Washington. Após o encerramento dos confrontos, o Irã comunicou a reabertura do Estreito de Ormuz para navegação de embarcações comerciais.

 

O Hezbollah informou, por meio de nota pública, a realização de 2.184 operações militares em um intervalo de 45 dias de conflito com as Forças Armadas de Israel, o que representa uma média de 49 operações diárias.

 

Essas investidas, conforme o grupo libanês, tiveram como alvos tanto as tropas israelenses atuando em solo libanês quanto instalações, quartéis e bases militares situadas dentro dos limites de Israel e nas áreas palestinas sob ocupação, alcançando até 160 quilômetros além da divisa.

 

“Nossa mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo, enfatizando a adesão à opção de confronto e continuar a defender o país, e permanecer no pacto até o último suspiro”, diz comunicado divulgado pela TV Al-Manar, ligada ao Hezbollah.


 

O líder do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, chefe da delegação responsável pelas negociações com os Estados Unidos, declarou que o cessar-fogo representa consequência direta da postura de resistência do Hezbollah e da integração do Eixo da Resistência.

 

“A Resistência e o Irã são uma só entidade, seja na guerra ou no cessar-fogo. Cabe à América recuar do erro de ‘Israel em primeiro lugar’. O cessar-fogo não foi senão resultado da resistência do Hezbollah e da união do Eixo da Resistência; e lidaremos com este cessar-fogo com cautela, e permaneceremos juntos até a verificação completa da vitória”, disse em uma rede social.


 

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismail Baghaei, afirmou que o acordo de trégua foi consequência direta dos esforços diplomáticos conduzidos por Teerã.

 

“Desde o início das negociações com várias partes regionais e internacionais, incluindo as negociações em Islamabad, a República Islâmica do Irã tem consistentemente enfatizado a necessidade imperativa de um cessar-fogo simultâneo em toda a região, inclusive no Líbano”, afirmou Baghaei.


 

Reação em Israel e contexto militar

 

O governo liderado por Benjamin Netanyahu mantinha a intenção de ocupar o Sul do Líbano até a linha do Rio Litani, localizada a 30 quilômetros da fronteira dos dois países. Na véspera do anúncio da trégua, Netanyahu afirmou ter determinado a continuidade dos combates visando a tomada da cidade de Bent Jbel.

 

De acordo com o periódico israelense The Times of Israel, ministros do gabinete israelense demonstraram surpresa diante da notícia do cessar-fogo. Segundo o mesmo veículo, Netanyahu teria concordado com a medida a pedido do presidente Donald Trump. Políticos da oposição criticaram o que chamaram de cessar-fogo "imposto" a Israel.

 

Já o portal Ynet Noticias noticiou que, mesmo após o anúncio do acordo, um oficial militar de Israel declarou que as tropas continuariam presentes no território libanês.

 

Desdobramentos e histórico do conflito

 

A fase recente da guerra entre Israel e Líbano remonta a outubro de 2023, quando o Hezbollah iniciou ataques no norte de Israel em apoio à população palestina, em resposta aos massacres ocorridos na Faixa de Gaza.

 

Em novembro de 2024, chegou-se a um acordo de cessar-fogo entre o grupo xiita e autoridades de Tel Aviv, que no entanto não foi plenamente observado por Israel, cujas forças mantiveram operações ofensivas em solo libanês.

 

Com a ofensiva contra o Irã em 28 de fevereiro, o Hezbollah retomou ataques contra Israel, alegando resposta às violações sistemáticas do cessar-fogo nos meses anteriores e também como retaliação pelo assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

 

No dia 8 de abril, foi divulgado o cessar-fogo para o conflito no Irã, porém Israel manteve ações militares no Líbano, em nova infração ao acordo mediado pelo Paquistão.

 

O governo iraniano vinha condicionando a inclusão do Líbano na trégua para avançar nas negociações com os Estados Unidos, com uma segunda rodada de discussões prevista para ocorrer nos dias seguintes.

 

O histórico do confronto entre Hezbollah e Israel remonta à década de 1980, período em que a milícia xiita surgiu em reação à invasão israelense do Líbano, ocorrida como parte da perseguição de grupos palestinos que buscavam refúgio no país vizinho. Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar forças israelenses do território libanês, passando, posteriormente, a atuar também como partido político com representação parlamentar e participação em governos nacionais.

 

O Líbano foi alvo de ataques israelenses também nos anos de 2006, 2009 e 2011.

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