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Governo propõe kits de TV 3.0 para famílias de baixa renda em evento nos EUA

Ministério das Comunicações avalia uso de verba do 5G para aquisição de kits de recepção e destaca novas funcionalidades e modelos de negócio na TV aberta.

21/04/2026 às 20:56
Por: Redação

Integrantes do Ministério das Comunicações e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) participam, até 22 de abril, em Las Vegas, Estados Unidos, de uma das maiores feiras internacionais de tecnologia em mídia, audiovisual e radiodifusão. O evento, promovido pela associação de radiodifusores dos Estados Unidos, serve como palco para a apresentação das mais recentes inovações do setor.

 

Durante o encontro, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, anunciou que o governo federal estuda direcionar parte dos recursos do Edital 5G para fornecer kits de recepção de TV digital 3.0 a famílias de baixa renda. Esses recursos estão relacionados às contrapartidas de investimento exigidas para expansão da conectividade em uma rede estatal exclusiva.

 

O ministro explicou que essa política representa não somente uma iniciativa social de grande relevância, mas também uma ação estratégica para a infraestrutura nacional. Ele ressaltou que permitir o acesso à tecnologia significa impulsionar a adoção da TV 3.0, incentivar o mercado e criar um ambiente sustentável de desenvolvimento para todo o ecossistema envolvido.

 

De acordo com Frederico Siqueira Filho, o governo pretende fazer com que o sistema de televisão seja utilizado como um canal eficiente para emissão de alertas à população, proporcionando segmentação geográfica e capacidade de ativação automática dos aparelhos, assegurando que informações importantes alcancem rapidamente quem necessita.

 

Las Vegas - 21/04/2026 - Ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, durante o NAB Show, em Las Vegas. Foto: Shizuo Alves/Ministério das Comunicações

 

Novo modelo de integração tecnológica

 

Siqueira Filho afirmou que a introdução da TV 3.0 representa um avanço significativo para a integração dos serviços digitais do governo, transformando a televisão em um canal de acesso a políticas públicas, especialmente para os segmentos da população que ainda enfrentam dificuldades com outras plataformas tecnológicas.

 

A definição do modelo operacional da TV 3.0 e do seu cronograma foi estabelecida por meio de um decreto presidencial publicado em agosto de 2025. Segundo o ministro, a tecnologia inovadora ampliará o alcance do Estado brasileiro, fortalecerá a inclusão social e proporcionará uma nova forma de interação dos cidadãos com os conteúdos televisivos.

 

“Estamos falando de personalização, uma TV para cada brasileiro. Pela primeira vez, a televisão aberta poderá oferecer experiências adaptadas ao perfil do usuário, sem perder a sua característica essencial de meio de comunicação em massa”, ponderou.


 

Entre as funcionalidades previstas para a TV 3.0 está a integração com sistemas de alertas de emergência, permitindo o envio de notificações para regiões determinadas e ativação automática dos dispositivos televisivos, mesmo sem necessidade de conexão à internet banda larga.

 

Perspectivas de negócios e transmissão

 

Durante sua participação no evento, o ministro destacou que a implementação da TV 3.0 abrirá espaço para o surgimento de novos formatos de negócios no segmento, como publicidade direcionada baseada em dados e inclusão do comércio eletrônico na experiência de assistir televisão.

 

A previsão é que durante a Copa do Mundo, prevista para começar em 11 de junho, já sejam realizados testes pioneiros de transmissão utilizando a tecnologia TV 3.0. O ministro enfatizou que o ritmo de implantação dependerá das estratégias adotadas por cada emissora, cabendo ao Estado garantir um cenário regulatório estável, previsível e favorável ao investimento.

 

David Butter, diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), revelou que o desenvolvimento da TV 3.0 no Brasil é acompanhado atentamente por outros países, que demonstram interesse nas decisões técnicas, no conteúdo produzido e no arcabouço regulatório nacional.

 

“A TV aberta brasileira tem, há décadas, escala e relevância. A TV 3.0 chega agora e acrescenta camadas de personalização, regionalização e, sobretudo, de oferta de serviços públicos”, resumiu


 

Bráulio Ribeiro, diretor de Operações, Engenharia e Tecnologia da EBC, destacou a atuação da EBC tanto na implementação da nova tecnologia quanto na divulgação do modelo brasileiro durante o evento internacional de radiodifusão. Ele ressaltou que isso evidencia a importância e o protagonismo da comunicação pública nacional nas discussões técnicas e testes práticos do sistema TV 3.0.

 

"Reforça a importância e o protagonismo que a comunicação pública brasileira tem tido nas discussões e na condução dos testes da TV 3.0, além de ser uma oportunidade de divulgar a plataforma comum da comunicação pública e dos serviços de governo como uma grande inovação da TV 3.0 no Brasil", disse.


 

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