A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em apoio à decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração norte-americano que atuava na sede da Polícia Federal em Brasília, foi dada nesta quarta-feira, 22 de abril. Essa ação, segundo Lula, segue o princípio da reciprocidade diante de medidas adotadas previamente pelos Estados Unidos em relação a um delegado brasileiro.
O presidente afirmou, em vídeo divulgado ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, que a decisão do Brasil reflete um tratamento equivalente ao aplicado pelos Estados Unidos.
"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade."
A retirada das credenciais do agente norte-americano aconteceu após o governo dos Estados Unidos determinar a saída do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, também da Polícia Federal, daquele país. Carvalho participou da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. O Ministério das Relações Exteriores comunicou, em nota publicada na rede X, que informou à representante da embaixada dos Estados Unidos, no dia 21 de abril, sobre a adoção do princípio da reciprocidade na resposta brasileira.
De acordo com o comunicado, a decisão norte-americana foi considerada sumária e, segundo o Itamaraty, não houve qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo acerca do caso, o que contrariaria o acordo bilateral de cooperação policial firmado entre os dois países. O posicionamento oficial ressaltou ainda que a medida descumpre as boas práticas diplomáticas historicamente mantidas entre Brasil e Estados Unidos, ao longo de mais de dois séculos de relações bilaterais.
O memorando de entendimento firmado entre os governos brasileiro e norte-americano previa a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o agente brasileiro atuava amparado por esse acordo, justificando assim a adoção do mesmo procedimento com o agente dos Estados Unidos.
No dia 20 de abril, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo norte-americano tornou pública a solicitação de retirada de um "funcionário brasileiro" de seu território, sem citar nomes. A referência, no entanto, indicava o delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Alexandre Ramagem, que já havia exercido o cargo de diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi preso na Flórida, nos Estados Unidos, onde permaneceu detido por dois dias e foi liberado em 15 de abril. Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão devido a seu envolvimento em uma trama golpista. Após a condenação, perdeu o mandato parlamentar e deixou o Brasil a fim de evitar a execução da pena, passando a residir em território norte-americano.
Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que fosse encaminhado formalmente aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o pedido de extradição de Ramagem. Em abril, a Polícia Federal informou que a prisão do ex-deputado pelas autoridades de imigração norte-americanas resultou de uma cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo informações da Polícia Federal, Alexandre Ramagem foi preso na cidade de Orlando e segue considerado foragido da Justiça brasileira, uma vez que foi condenado por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e abolição violenta do Estado democrático de direito.
No mesmo vídeo em que tratou da reciprocidade em relação aos Estados Unidos, o presidente Lula anunciou a contratação de mil novos agentes para a Polícia Federal. Estes profissionais irão atuar prioritariamente em portos, aeroportos e regiões de fronteira. Segundo o presidente, essa medida está alinhada ao compromisso do governo federal no combate ao crime organizado.