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Lula critica ameaças de Trump a outros países e defende respeito à soberania

Presidente brasileiro condena ações dos EUA contra Irã, Cuba e Venezuela e defende diálogo internacional

17/04/2026 às 01:26
Por: Redação

Em declaração recente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou posição contrária às ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Irã, Cuba e Venezuela. Lula enfatizou que nenhuma nação, incluindo os Estados Unidos, tem autorização para ameaçar outros países apenas por discordar de suas políticas.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”, afirmou Lula.


 

Durante entrevista concedida ao jornal espanhol El País, o presidente brasileiro abordou não só as ameaças direcionadas ao Irã, como também as intervenções promovidas por Trump em Cuba e na Venezuela. Lula ressaltou que a integridade territorial dos países deve ser respeitada e que nenhum país possui o direito de desconsiderar a soberania de outros Estados.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou.


 

Segundo Lula, o cenário internacional carece de lideranças que compreendam a responsabilidade coletiva sobre o futuro do planeta, defendendo que as nações de maior influência devem exercer papel fundamental na promoção da paz global. O presidente destacou que a importância de um país não o autoriza a agir como detentor do mundo, salientando a necessidade de responsabilidade ampliada para evitar conflitos.

 

Na entrevista, Lula também abordou o risco de um novo conflito armado internacional, classificando a possibilidade de uma terceira guerra mundial como um desastre muito mais devastador do que o que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial.

 

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, disse.


 

Ao ser questionado sobre a chance de esse cenário realmente ocorrer, Lula respondeu que, caso a postura de certas lideranças mundiais não mude, uma guerra global pode se tornar realidade.

 

“Se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer”.


 

Postura dos EUA em relação a Cuba

 

Lula criticou o endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos a Cuba, que se soma a um embargo econômico mantido há quase setenta anos. Ele afirmou que Cuba tem papel importante para o Brasil e questionou a razão do bloqueio prolongado, argumentando que, se o problema fosse apenas com o regime cubano, outros países, como o Haiti, que não adotam o comunismo, também estariam no foco das sanções.

 

Lula apontou que o Haiti enfrenta dificuldades econômicas e sociais há décadas, sendo atualmente dominado por gangues armadas em grande parte da capital Porto Príncipe. O presidente também declarou que Cuba precisa de oportunidades para superar as adversidades impostas pelo bloqueio, indagando como um país pode sobreviver sem acesso a alimentos, energia e combustíveis.

 

Processo eleitoral na Venezuela

 

Sobre a Venezuela, Lula informou que a posição do Brasil é favorável à realização de eleições previstas para julho de 2024, defendendo o respeito ao resultado do pleito para que o país vizinho recupere a estabilidade. O chefe do Executivo brasileiro reforçou que não cabe aos Estados Unidos tentar administrar os destinos da Venezuela.

 

Taxas sobre exportações brasileiras

 

A respeito das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a exportações do Brasil, impostas entre abril e agosto de 2025, Lula relatou ter dito a Trump, em encontro anterior, que não é necessário haver concordância ideológica entre chefes de estado. Para ele, é fundamental a busca de interesses mútuos entre as nações, independentemente das diferenças ideológicas.

 

Após negociações entre os governos de Brasília e Washington em novembro de 2025, os Estados Unidos removeram uma tarifa de quarenta por cento sobre produtos brasileiros como café e carne. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte norte-americana anulou essa medida de Trump, atendendo ao pedido de empresas do próprio país que haviam sido prejudicadas pelos encargos, beneficiando exportadores de dezenas de países, incluindo o Brasil.

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