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Hospitalizações por SRAG crescem entre crianças de até 2 anos no país

Vírus sincicial respiratório impulsiona aumento de internações em crianças pequenas; 14 estados apresentam níveis de alerta.

16/04/2026 às 20:14
Por: Redação

Dados recentes mostram aumento dos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de dois anos em quatro das cinco regiões do Brasil: Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

 

Segundo o Boletim InfoGripe divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira, 16, esse crescimento está relacionado principalmente ao avanço das hospitalizações provocadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que se apresenta como o agente predominante entre os casos mais graves na faixa etária dos bebês.

 

A análise pública corresponde à Semana Epidemiológica 14, de 5 a 11 de abril. Ainda conforme o boletim, as internações graves causadas por covid-19 seguem em declínio em todo o território nacional.

 

Conforme esclarece Tatiana Portella, pesquisadora do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz), o VSR é um dos principais fatores de internação por SRAG em crianças pequenas, sendo também uma das causas centrais de bronquiolite.

 

“Por isso, ela considera essencial que gestantes a partir da 28ª semana tomem a vacina contra o vírus para proteger seus bebês nos primeiros meses de vida.”


 

Além disso, a pesquisadora faz um alerta para o aumento das hospitalizações por influenza A em diversos estados, reforçando a importância de que a população prioritária que ainda não se vacinou procure um posto de saúde o quanto antes para receber a dose anual do imunizante.

 

Crescimento de casos e distribuição regional

 

O panorama nacional indica estabilidade nas tendências de SRAG, tanto a curto quanto a longo prazo. No entanto, 14 estados seguem com incidência de SRAG em patamar de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, sendo observado sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 14. Esses estados são Acre, Pará e Tocantins (Norte); Maranhão, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia (Nordeste); Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás (Centro-Oeste); e Minas Gerais e Rio de Janeiro (Sudeste).

 

A elevação dos casos relacionados ao VSR foi confirmada em todo o Centro-Oeste e Sudeste, além dos estados de Acre, Pará, Tocantins e Roraima (Norte) e Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia (Nordeste).

 

O boletim informa também que o número de casos de influenza A segue em crescimento em boa parte da região centro-sul, que engloba Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No Nordeste, sobem os registros em Paraíba, Alagoas e Sergipe, assim como nos estados do Norte: Amapá, Acre e Rondônia.

 

Por outro lado, os casos de SRAG vinculados à influenza A vêm apresentando redução nos estados do Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco (Nordeste), além do Pará e do Rio de Janeiro.

 

No que se refere ao rinovírus, na maior parte do território brasileiro, a tendência é de interrupção do crescimento ou de queda, excetuando-se o Pará e o Mato Grosso, onde os registros continuam a subir.

 

Entre as capitais, 14 apresentam patamar de incidência de SRAG classificado como alerta, risco ou alto risco, com indicativo de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana Epidemiológica 14. São elas: Rio Branco, Belém, Palmas, Cuiabá, Campo Grande, São Luís, Teresina, João Pessoa, Recife, Aracaju, Maceió, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro.

 

Dados de incidência e mortalidade

 

O comportamento da incidência e da mortalidade média semanal, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantém o padrão típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG permanece mais alta entre crianças pequenas, relacionada principalmente ao VSR e ao rinovírus, enquanto a mortalidade segue concentrada entre idosos, sendo atribuída principalmente à influenza A e à covid-19.

 

Os casos de SRAG por influenza A têm atingido especialmente crianças com até 4 anos de idade e pessoas idosas, ao passo que a mortalidade maior ocorre entre indivíduos a partir dos 65 anos.

 

No decorrer do ano epidemiológico de 2026, foram notificados 37.244 casos de SRAG, dos quais 15.816 (42,5%) receberam resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 14.723 (39,5%) tiveram resultado negativo, e pelo menos 3.990 (10,7%) ainda aguardam análise laboratorial.

 

Entre os casos positivos identificados no ano, 41,1% foram de rinovírus; 25,5% de influenza A; 17,4% de VSR; 10,2% de Sars-CoV-2 (covid-19) e 1,7% de influenza B.

 

Considerando as últimas quatro semanas epidemiológicas, a distribuição dos vírus entre os casos positivos ficou em 33% para rinovírus, 32,2% para influenza A, 26,3% para VSR, 5,5% para Sars-CoV-2 (covid-19) e 2,4% para influenza B.

 

Analisando os óbitos no mesmo período, a presença desses vírus entre os casos positivos foi de 40,8% para influenza A, 26,9% para rinovírus, 23,3% para Sars-CoV-2 (covid-19), 5,3% para VSR e 4,1% para influenza B.

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