O encerramento do mês de abril foi marcado por otimismo no mercado financeiro brasileiro, resultado da influência do contexto global e do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom). O dólar apresentou queda expressiva e encerrou o mês com a cotação mais baixa registrada desde março de 2024.
Além do desempenho da moeda norte-americana, a bolsa brasileira reverteu uma sequência de seis quedas consecutivas, impulsionada pelo aumento do interesse internacional por investimentos em países emergentes, como o Brasil. Esse cenário favoreceu a entrada de recursos estrangeiros, com investidores optando pela venda de dólares e alocação de capital em ativos brasileiros, especialmente em ações.
Na última sessão de abril, realizada na quinta-feira (30), o dólar comercial encerrou cotado a quatro reais e noventa e cinco centavos, com recuo de quatro centavos e noventa e nove centavos, equivalente a menos zero vírgula noventa e nove por cento. Esse valor corresponde ao patamar mais baixo desde sete de março de 2024.
Durante o mês, a moeda dos Estados Unidos acumulou desvalorização de quatro vírgula trinta e oito por cento frente ao real. No acumulado do ano, a queda chega a nove vírgula setenta e sete por cento, colocando a moeda brasileira entre aquelas com melhor desempenho no período entre os mercados internacionais.
Esse movimento está relacionado, em grande parte, à redução da força global do dólar, observada em diversos mercados, e também à realocação de investimentos para países que oferecem taxas de juros mais elevadas.
Mesmo com o início do ciclo de cortes na taxa básica de juros no Brasil, a Selic permanece em nível elevado. Na quarta-feira (29), o Banco Central reduziu a taxa para quatorze vírgula cinquenta por cento ao ano e sinalizou cautela em relação a futuras decisões, considerando riscos associados à inflação.
No cenário internacional, o Federal Reserve dos Estados Unidos manteve a taxa de juros entre três vírgula cinquenta por cento e três vírgula setenta e cinco por cento. Esse diferencial entre as taxas de juros brasileira e americana é um dos fatores que sustentam a valorização do real, tornando o país mais atrativo para investidores interessados em retorno financeiro.
O euro comercial também registrou forte queda na mesma sessão, encerrando a cinco reais e oitenta e um centavos, com recuo de zero vírgula quarenta e oito por cento, atingindo o menor valor desde vinte e quatro de junho de 2024.
O pregão de quinta-feira também destacou a recuperação do mercado de ações brasileiro. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou aos cento e oitenta e sete mil trezentos e dezoito pontos, com elevação de um vírgula trinta e nove por cento.
Esse avanço foi impulsionado tanto pelo ingresso de capital estrangeiro quanto pela revisão das expectativas em relação à política monetária nacional. A sinalização de cortes mais graduais na Selic contribuiu para o fortalecimento da percepção de estabilidade econômica, cenário que costuma favorecer o mercado de ações.
Apesar do resultado positivo no último pregão do mês, o índice encerrou abril praticamente estável, após uma série de quedas anteriores que neutralizaram ganhos acumulados em períodos passados.
No âmbito doméstico, os agentes do mercado monitoraram indicadores econômicos e decisões políticas, que, no entanto, exerceram impacto limitado sobre a precificação dos ativos. Os dados relativos ao mercado de trabalho demonstraram resiliência da economia brasileira, reforçando a avaliação de que o espaço para reduções mais agressivas dos juros, no curto prazo, é restrito.
O comportamento do mercado internacional de petróleo continuou a influenciar os investidores globais, com a commodity apresentando forte volatilidade ao longo do dia, em função de tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Durante o pregão, as cotações da commodity chegaram a superar cento e vinte dólares, mas perderam força até o encerramento do dia. O barril do petróleo Brent, referência para a Petrobras, finalizou o dia cotado a cento e dez dólares e quarenta centavos, praticamente sem variação. Já o barril do WTI, negociado no Texas e usado como referência nos Estados Unidos, fechou em cento e cinco dólares e sete centavos, com queda de um vírgula sessenta e nove por cento.
Essas variações refletem incertezas quanto ao fornecimento global de petróleo, especialmente diante das tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, além das restrições ao tráfego no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas de escoamento da commodity em todo o mundo. Mesmo com eventuais quedas durante o dia, os preços seguem elevados, o que contribui para a manutenção da pressão inflacionária mundial e afeta as decisões de política monetária em diversos países.
Informações adicionais foram obtidas junto à agência de notícias internacional.