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Brasil registra redução de 42% nas perdas de floresta tropical em 2025

Relatório internacional destaca queda inédita na perda de cobertura arbórea brasileira e impacto global dos resultados do país

29/04/2026 às 11:54
Por: Redação

Em 2025, o Brasil registrou a perda de 1,6 milhão de hectares de cobertura arbórea em regiões de floresta tropical úmida, segundo o relatório do Global Forest Watch, apresentado pela organização World Resources Institute (WRI) nesta quarta-feira, 29.

 

Esse valor representa uma diminuição de 42% em comparação com o observado no ano anterior, 2024. O maior impacto foi identificado nas áreas onde o desmatamento ocorreu sem o uso do fogo, ou seja, perdas resultantes de atividades como corte raso, morte natural da vegetação e outras causas não relacionadas a incêndios.

 

De acordo com Elizabeth Goldman, codiretora do Global Forest Watch, a queda nas perdas de cobertura arbórea sem ligação com incêndios foi de 41% em relação a 2024, atingindo o menor patamar desde o início dos registros em 2001.

 

Estados como Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima foram responsáveis por mais de 40% da redução total das perdas de cobertura vegetal. Apenas o Maranhão apresentou aumento na perda de áreas de floresta nativa no período.

 

Os dados, elaborados anualmente pelo Laboratório de Análise e Descoberta de Terras Globais (Glad), da Universidade de Maryland, referem-se exclusivamente à vegetação primária — áreas maduras com vegetação original preservada. O sistema do Global Forest Watch vai além do monitoramento oficial brasileiro, que é feito pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), pois inclui distúrbios como corte seletivo e mortes naturais, além do desmatamento convencional.

 

Divergências e convergências metodológicas

 

Segundo Elizabeth Goldman, embora existam diferenças nos métodos de monitoramento das perdas florestais entre o Global Forest Watch e o Prodes, ambos apontam uma tendência de redução do desmatamento nos principais biomas brasileiros durante o período entre 1º de agosto de 2024 e 31 de julho de 2025.

 

“Além das florestas tropicais primárias, pensando em toda a perda arbórea, a maioria dos biomas viram uma redução, inclusive a Caatinga, que é uma região de florestas secas no Nordeste do Brasil”, destaca a pesquisadora.


 

Mirela Sandrini, diretora executiva da WRI Brasil, acredita que os resultados obtidos pelo país são fruto da atuação conjunta de governo, sociedade civil, instituições acadêmicas, comunidades locais e setor privado.

 

A intensificação da produção em áreas previamente desmatadas, a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativas para remuneração por serviços ambientais e estímulos fiscais a quem preserva são elencados como iniciativas que atendem às expectativas internacionais para a próxima década.

 

Na opinião de Mirela Sandrini, o papel estratégico do Brasil em soluções de escala para segurança alimentar, energética e climática é fundamental.

 

Impactos mundiais e dados globais

 

A retração brasileira contribuiu para a diminuição global das perdas de floresta tropical úmida, que somaram 4,3 milhões de hectares em todo o mundo em 2025. Houve uma redução de 35% em relação a 2024, quando o planeta registrou recorde de 6,7 milhões de hectares perdidos.

 

Em relação às perdas de cobertura vegetal não associadas a incêndios, 2025 apresentou o menor índice dos últimos dez anos, com queda de 23% frente ao ano anterior. No entanto, as áreas perdidas por incêndios continuaram elevadas, ocupando a terceira posição mais alta desde 2001.

 

Segundo Elizabeth Goldman, os dados referentes aos incêndios em 2025 podem ser revisados posteriormente, pois há possibilidade de registros tardios referentes ao final de 2024. Isso ocorre porque a fumaça dos incêndios pode dificultar a captação de imagens por satélites e atrasar a identificação desses eventos.

 

Participação do Brasil e detalhes regionais

 

O Brasil respondeu por mais de 37% das perdas mundiais de cobertura arbórea em 2025, ocupando a primeira posição em extensão de área perdida. Na sequência vêm Bolívia, com 620 mil hectares, e República Democrática do Congo, com quase 600 mil hectares. No entanto, quando a análise considera a proporção em relação ao tamanho das florestas, Bolívia e Madagascar lideram o ranking global de perdas.

 

“A expansão agrícola foi a principal causa da perda de cobertura arbórea nos trópicos, devido à produção de commodities e mudança nos cultivos para subsistência dos mercados locais”, acrescenta a codiretora do WRI.


 

Focos de incêndio e desafios futuros

 

Os incêndios configuraram-se como o principal vetor de perdas florestais globalmente em 2025. Nos últimos três anos, a quantidade de florestas destruídas por incêndios dobrou em relação às duas décadas anteriores.

 

Elizabeth Goldman avalia que, embora o resultado brasileiro seja positivo em 2025, ele ainda não é suficiente para que o mundo alcance a meta de frear e reverter a perda de cobertura florestal até 2030, compromisso firmado por 140 países. Conforme destaca a gestora, os dados atuais indicam que o ritmo global de perdas ainda está 70% acima do necessário para atingir esse objetivo.

 

“Alcançar essa meta nos próximos anos não será fácil porque as florestas estão mais vulneráveis às mudanças climáticas, e a humanidade continua crescendo e aumentando a sua demanda por combustíveis e alimentos”, conclui Elizabeth Goldman.


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