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Banco Central determina liquidação extrajudicial da Creditag por risco financeiro

Decisão foi motivada por grave comprometimento econômico-financeiro da instituição e visa proteger credores e depositantes.

16/04/2026 às 15:46
Por: Redação

O Banco Central anunciou, na quinta-feira, dia 16, a instauração do processo de liquidação extrajudicial sobre a Cooperativa de Crédito, Poupança e Serviços Financeiros Creditag. A decisão foi atribuída ao comprometimento severo das condições econômico-financeiras da cooperativa.

 

A autoridade monetária explicou que a situação que motivou a intervenção expôs os credores quirografários da Creditag a um risco classificado como anormal. Por definição, credores quirografários são aqueles que, diferentemente dos que possuem garantias reais, têm seus créditos fundamentados apenas em contratos convencionais, como cheques sem fundos, notas promissórias ou contratos de prestação de serviços sem garantias.

 

Segundo o Banco Central, a Creditag atuava como uma cooperativa de pequeno porte e operava de maneira independente. Em dezembro de 2025, essa instituição detinha, de acordo com os dados do órgão regulador, aproximadamente 0,0000226% do total de ativos presentes no Sistema Financeiro Nacional (SFN).

 

Em comparação, os quatro maiores bancos do Brasil são responsáveis por 54,7% dos ativos do SFN. Conforme o relatório de Estabilidade Financeira publicado pelo Banco Central em abril de 2025, a Caixa Econômica Federal lidera a lista com 15,1% do total de ativos, seguida pelo Banco do Brasil, que detém 14,9%, pelo Itaú com 13,6%, e pelo Bradesco, que responde por 11,1%.

 

Procedimentos e consequências da liquidação extrajudicial

 

A liquidação extrajudicial, conforme estabelecido pela legislação vigente, configura um regime especial de intervenção decretado pelo Banco Central, direcionado a retirar de maneira organizada do Sistema Financeiro Nacional as instituições consideradas inviáveis. Nessa modalidade de intervenção, não há interferência direta do Poder Judiciário, sendo o objetivo principal assegurar a proteção dos depositantes e dos credores, especialmente em cenários de insolvência grave, má administração ou identificação de fraudes.

 

A legislação determina ainda que, a partir da decretação da liquidação, todos os bens dos antigos administradores da Creditag ficam indisponíveis, como forma de resguardar eventuais direitos dos credores e do próprio sistema.

 

O Banco Central comunicou que seguirá adotando todas as providências necessárias dentro de seu campo de atuação para identificar possíveis responsáveis pela crise enfrentada pela cooperativa. Os resultados dessas apurações poderão acarretar a aplicação de penalidades administrativas e o encaminhamento de informações às autoridades competentes, caso se verifique a necessidade de outras medidas.

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