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Anvisa e conselhos de saúde unem esforços contra uso irregular de canetas emagrecedoras

Órgãos federais buscam combater irregularidades no uso e comércio de medicamentos para emagrecimento

16/04/2026 às 15:41
Por: Redação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) firmou uma carta de intenção ao lado do Conselho Federal de Medicina (CFM), do Conselho Federal de Odontologia (CFO) e do Conselho Federal de Farmácia (CFF) com a finalidade de estimular práticas seguras e responsáveis no uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras.

 

No comunicado divulgado, a Anvisa salientou que o principal objetivo da iniciativa é minimizar riscos sanitários associados tanto a produtos quanto a procedimentos irregulares envolvendo essas medicações, priorizando a saúde da população do país. A agência informou que a atuação conjunta com os conselhos será pautada na troca de informações, alinhamento de condutas técnicas e desenvolvimento de ações educativas.

 

O plano das entidades compreende não somente o incentivo para prescrições responsáveis desses fármacos, mas também o fortalecimento dos sistemas de notificação de eventos adversos. Além disso, serão promovidas campanhas de orientação direcionadas tanto aos profissionais de saúde quanto ao público em geral.

 

“O documento destaca a preocupação das instituições com a ampliação do uso de medicamentos originalmente indicados para o tratamento de doenças crônicas, como diabetes e obesidade, que vêm ganhando popularidade em diferentes contextos clínicos”, ressaltou a Anvisa.


 

Segundo alerta da carta de intenção assinada pelas instituições, o crescimento da oferta e da procura pelas canetas emagrecedoras está relacionado ao aumento de irregularidades em etapas como importação, manipulação, prescrição e dispensação dos medicamentos, o que pode colocar pacientes sob riscos que poderiam ser evitados.

 

Novos grupos para monitoramento e discussão técnica

Está prevista para esta semana a publicação de portarias que irão instituir grupos de trabalho específicos para tratar do tema. Um desses grupos terá função consultiva, funcionando como instância estratégica de governança encarregada de acompanhar a execução do plano de ação. Outro grupo será composto por representantes dos três conselhos federais, responsável por aprofundar discussões técnicas sobre os medicamentos em questão.

 

Combate a medicamentos irregulares

Dentro desse contexto, a Anvisa determinou, nesta semana, a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, fabricados por uma empresa não identificada. A decisão também proibiu a comercialização, distribuição, importação e uso desses produtos.

 

“Amplamente divulgados na internet e vendidos como medicamentos injetáveis de GLP-1, os produtos são conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, mas não têm registro, notificação ou cadastro na Anvisa”, informou a agência.


 

Segundo o órgão, por serem considerados produtos irregulares e de origem desconhecida, não existe nenhuma garantia sobre o conteúdo ou a qualidade das substâncias, motivo pelo qual não devem ser utilizados em nenhuma situação.

 

Apreensão de produtos de origem estrangeira

Na mesma semana, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus procedente do Paraguai que transportava canetas emagrecedoras e anabolizantes, em uma operação realizada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O veículo estava sob monitoramento devido à suspeita de transportar materiais irregulares. Durante a abordagem, 42 passageiros foram conduzidos à Cidade da Polícia.

 

Entre os detidos estava um casal que embarcou em Foz do Iguaçu, no Paraná, preso em flagrante com grande quantidade de produtos de origem paraguaia destinados à venda irregular no Brasil, incluindo anabolizantes e mil frascos de canetas emagrecedoras com a substância tirzepatida.

 

Riscos à saúde e alertas de farmacovigilância

Em fevereiro, a Anvisa emitiu um alerta sobre os perigos do uso inadequado das canetas emagrecedoras. O comunicado incluiu medicamentos como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

 

Na ocasião, a agência destacou que, embora os riscos já estivessem presentes nas bulas dos medicamentos aprovados no Brasil, houve aumento nas notificações de eventos adversos, tanto internacionalmente quanto no território nacional, demandando reforço nas orientações de segurança para o uso desses produtos.

 

“Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado.”


 

O monitoramento médico desses fármacos, segundo a Anvisa, é necessário devido ao risco de eventos adversos graves, como a pancreatite aguda, incluindo as formas necrotizantes e fatais.

 

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